Gastronomia por Roberta Sudbrack
23/02/2007 ..
Salve o azeite de oliva!
Aproveitando a minha fase de alemã mais italiana do mundo, descobri outro dia com a visita do Presidente da Academia Italiana de Cozinha algumas curiosidades sobre esse produto que me encanta.
Sou louca por azeite de oliva, compro todos os que vejo pela frente. Experimento todos e descubro um mundo diferente e repleto de possibilidades em cada um. Hoje em dia temos a sorte de ter uma oferta maior desse item, que para nós cozinheiros é vital. Mas ainda estamos distantes da excelência. É que não conseguimos ainda convencer os importadores da importância que certos detalhes têm na nossa vida e na nossa cozinha.
Fiquei louca ao saber que na Itália, em fevereiro, são recolhidos todos os azeites de oliva da safra passada e distribuídos os da safra do ano. Segundo os italianos, o ciclo de vida aceitável para um azeite de qualidade é de um ano, então... Recolham-se os outros!
Achei isso fantástico e imediatamente liguei para o meu fornecedor que, claro, me achou mais louca e excêntrica do que na verdade sou! Pedi para que todo azeite que tenho em estoque fosse recolhido e substituído pelo da safra desse ano. Depois de um minuto de silêncio, no qual ele deveria estar pensando se valeria a pena discutir comigo, ele me explicou que o de safra mais nova estava preso no porto aguardando liberação, mas assim que chegasse ele seria substituído sem problemas.
Sei que parece bobagem, compreendo que seja difícil para um fornecedor entender essa preocupação, mas os detalhes fazem a nossa vida e dão o toque final nos nossos pratos! Sem eles somos apenas normais...
Até!
22/02/2007 ..
Sudbrack...italiano com certeza!
Recebemos na terça-feira a visita do Presidente da Academia Italiana della Cucina, que também é o Presidente da Academia Internacional de cozinha, Senhor Giuseppe Dell´osso, que veio me entregar um prêmio concedido pela academia aos restaurantes que se empenham em manter e respeitar as tradições italianas.
Ok, vocês devem estar pensando, mas esse prêmio normalmente não é concedido apenas a restaurantes italianos? E além do mais, Sudbrack não é de descendência alemã?
Tudo isso está certo! Esse prêmio me foi concedido em 2003 pelo meu trabalho no Palácio da Alvorada, quando na época servi um banquete ao Presidente da Itália Carlo Ciampi. Desde 2003 eles tentam me entregar o prêmio e por algum motivo ocorre um desencontro, a gente marca, desmarca e por algum motivo não acontece.
Na terça-feira passada, tornei-me a única chef no mundo a deter essa honraria, já que ela normalmente é concedida a restaurantes e não ao chef. Mas como em 2003 a casinha laranja ainda era só um sonho e a Academia resolveu abrir uma exceção, acabei papando essa!
Como eu sempre digo: o mundo dá voltas! E essa apesar de ter levado quatro anos, foi bem dada!
Tudo foi muito emocionante, como não poderia deixar de ser. Mas um detalhe marcante e inesquecível foi a percepção do Senhor Giuseppe Dell´osso em relação ao nosso trabalho. Todos sabem que somos passionais ao extremo, que sofremos, que vibramos, que choramos com a mesma intensidade e por tudo. O diploma da Academia que é uma aquarela autêntica datada de 1953 diz o seguinte:
Diploma de Beneverenza a Roberta Sudbrack per il suo impegno appassionato e profissionale a favore da civiltá della tavola.
Só isso já me faria chorar, mas a percepção do Senhor Giuseppe de que a nossa cozinha é técnica e amor na mesma proporção me fez pensar que essa deve ser sempre a essência da tavola. E não importa onde ela esteja, ou quem a esteja executando, o amor e a técnica andam juntos, de mãos dadas, quando o propósito é alegrar e alimentar.
No final, ele assinou embaixo novamente, num gesto de quem reiterava aquele prêmio, o que me fez naquele momento dividi-lo com toda a equipe da casinha laranja. Afinal, quatro anos depois estávamos conquistando-o novamente.
O mundo da voltas, graças a Deus!
Até!
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